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12/09/2009

O Beijo do Leopardo - nova capa





CAPÍTULO I


Uma sombra de destruição surge sobre a Ásia do século dezenove. Todos os países fronteiriços clamam diante do terror implantando por um Imperador até então julgado e visto pelo povo como impiedoso. As atrocidades realizadas em seu domínio eram tantas que os outros governantes tremiam perante o poder alastrado pelos confins, gerando morte sem limites, aniquilando a todos que se colocavam em seu caminho.

No alto de uma montanha havia um templo, aos pés da qual um vilarejo, palco do início desta aventura. No templo, um sábio teve uma visão. Chegando aos ouvidos do Imperador e traduzido de forma propositalmente distorcida por Hu Jing seu primeiro ministro, um homem imerso nos auspícios da corrupção e ânsia pelo poder, assim: “Um guerreiro com olhos de dragão surgirá para destruir o imperador”. Essa notícia espalhou-se depressa por toda a parte. Pessoalmente, o Imperador resolveu ir até este oráculo.

Ao se encontrar nos arredores da vila, a comitiva precedida dos soldados, que esvaziavam as ruas para que o rico cortejo imperial passasse uma ventania acre com odores de maresia que parecia açoitar a pele daqueles que estavam às ruas, os moradores diziam que os Deuses sinalizavam um destino cruel para aquele lugar e murmuravam os anciãos sobre indícios de que o soberano seria amaldiçoado caso ameaçasse a vida dos religiosos do monastério, assim como a presença denunciava atitudes enérgicas que seriam tomadas, justamente por causa da raridade de presságios como estes.

Então, uma nuvem negra de tempestade inundou os céus com sua fúria, desabando uma forte chuva repleta de muito vento e relâmpagos.

Em meio esta tormenta eles marcham portões adentro. Percebendo a aproximação e prevendo seu destino, o ancião vestiu-se com o traje de luto e ordenou que os outros monges o deixassem sozinho no salão principal do templo. Sentou-se junto ao altar onde filetes de incenso dançavam ao toque do vento que forçava entrar pelas frestas das janelas, o recinto estava imerso à meia luz das velas cujas chamas refletidas em seus olhos apontavam uma propagação devastadora de conseqüências memoráveis a todos daquela região por muito tempo, esperou. Em minutos entra a guarda imperial que precede Jun Huo, um homem com semblante afogado em aborrecimento, sedento de punição e expor seu poder como um pavão abre sua cauda em leque. As pesadas portas são abertas rapidamente pelos homens ricamente uniformizados, mas toda aquela pompa era ofuscada pelo poder maior da natureza, que se manifestava de modo muito claro para a compreensão do religioso que observava sereno a ineficaz inquietude humana. Com a convicção de aquela história ser estímulo para atos de traição o Imperador afrontou com intensidade a frágil e humilde figura do velho. Sentiu-se insultado por ele trajar luto em sua presença, questionando-o agressivamente, mas com um gesto que impedia a intervenção daqueles que o acompanhavam:

- Como ousa receber-me sem as honras previstas pelo costume, diga-me a razão do luto, seria para predizer a minha morte? – aproximou o rosto a fitar os olhos – Diga-me o que viu em sua visão! – suas faces próximas, contrastadas em expressões opostas, iluminadas pela luz amarela das velas e ao som da turbulência do tempo, pareciam suspensas no tempo, que destilava cada pulsação na pupila dos olhos negros, enquanto o destino bebia tudo, avidamente, como um vinho doce.

Ele se afasta do velho, que permaneceu calado até que também ficasse em silêncio, o silêncio até de sua respiração, e da ventania que diminuía. Enquanto Jun Huo se afastava consumido pela impassividade perante sua demonstração de autoridade, e em passos lentos. O velho ergue seu olhar e começa a falar sobre a visão:

- “Um cavaleiro montado num animal de dorso nevado surgirá nas ruas desta cidade após o fim de uma tempestade, andará sobre a terra profanada e inundada de morte, carregando em seu rosto um olhar de dragão, arrebatará o Imperador usando sua espada.”

Jun Huo não reage, apenas acentua a expressão de contrariedade no rosto, estava cego por um véu dissipável apenas pelos Deuses e pelos fatos de sua própria inconseqüência.

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Laura observava o céu imensamente iluminado pelas estrelas do oceano índico na amurada, o navio de passageiros não se agitava muito e convés estava calmo, enquanto a brisa fria da noite eminente se intensificava. Um dos marinheiros indagou a mudança do vento, e olhou os relampejos ao longe no horizonte, em direção ao porto da vila costeira de Hacano. Ela estava acompanhada de Vanessa, sua irmã e Álvaro, seu tio, ele estava em missão diplomática para o Japão, as moças eram uma companhia familiar e mais do que requisitada para seus planos.

Um dos roteiros de passagem seria o porto de Shangai, no mar da China, onde navegavam naquele momento. Ele se mostrava confiante por causa da viagem bem sucedida, depois que saíram da Mauritânia sem nenhum contratempo, comentava com Vanessa, que sorria enquanto bebiam de uma taça de vinho do porto. Parecia um tanto ansioso em providenciar um bom relacionamento comercial das Américas com o oriente. Vanessa estava entusiasmada com os belos tecidos pelos quais tornaram os orientais famosos nesta época. Laura não se sentia feliz porque achava que seu tio inventara de trazê-la para afastá-la de seu pretendente, Bernardo, que iria fazer um pedido formal de casamento, interrompido por esta viagem. Vanessa tentava colocar esperança em seu pensamento, insistindo na hipótese dele esperá-la retornar, será prova de seu amor.

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